terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Coitada era a Medusa

Se houvesse justiça, haveria também injustiça. E se houvesse injustiça, poucas seriam maiores que as dirigidas contra Medusa, a grega da cara cinzenta e cabeleira de cobras que, ao ser olhada, transformava homens em estátuas de pedra.

Para começar, quem se lembra que ela era sacerdotisa do templo de Atena, a deusa da sabedoria (e da guerra), que a coitada era virgem e ao mesmo tempo a mais linda mulher dos tempos em que Ulisses, o herói da Odisseia, de Homero, também andava pelo mundo? Medusa era tão bela que chamou a atenção e atiçou o apetite de Poseidon, o deus dos mares, por quem foi deflorada à força. Assim começa seu calvário.
 
Após ser violentada, agora recebe o castigo da própria deusa Atena, raivosa, que a transforma no monstro, proibido de ser olhado, e a confina, sozinha - ela, a mulher, que continua viva e lúcida dentro do monstro - numa ilha. A partir daí tem início uma corrida por sua cabeça que, segundo a lenda, daria incríveis poderes ao portador. Um a um, aventureiros, caçadores de tesouro partem à sua caça e todos eles são transformados em estátuas de pedra. E a Medusa, não chegava a fazer nada. Talvez até ansiasse ser morta a punhal, ao menos para sentir um último toque humano e, quem sabe, receber um último olhar, mesmo que de seu assassino.
 
Até que chega à ilha nosso outro herói, Perseu, movido por razões mitologicamente contraditórias. E num golpe de mestre, diríamos numa tocaia de costas, orientado apenas pelo espelho de seu escudo, consegue finalmente decepar a moça. O pior é que Perseu recebeu ajuda da própria Atena na empreitada.
 
Triste fim de Medusa. Ainda foi enterrada no templo de sua deusa. Sinceramente, se eu fosse mulher, exigiria reparo.


Magno Mello