Um pouco cansado de tanto
escrever, resolvo ir ao circo que está na cidade, sessão das 19h. Puxa, tão
pobrezinho, com apenas quatro artistas principais!
O único palhaço também faz o
globo da morte, pilotando a moto, ajuda a puxar as cordas do trapézio e ainda
vende varetas de neón no intervalo.
O trapezista faz números
variados no trapézio, outros de equilíbrio e ajuda a animar a platéia.
O apresentador também canta,
toca guitarra, assessora o palhaço e prepara o cachorro quente no intervalo.
E há a contorcionista gracinha,
humilde, mas uma gracinha, feminina, uns 17 anos no máximo, ali no circo,
naquela fé, a mesma fé de todos os outros de lá, que encantam seu público, de
umas 35 pessoas.
E eu ali, aplaudindo meus
irmãos das artes, com os olhos marejados e um sorriso desavisado, do começo ao
fim do espetáculo.
Voltando para a casa onde estou
hospedado, passando por ruas de paralelepípedo, só consegui pensar que enquanto
houver arte, há salvação.
Magno Mello
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