Espero,
sempre, que meu trabalho traga algo positivo para as pessoas e para o mundo.
Melhorar o mundo fazendo o que se gosta: é o que norteia minha vida desde a
adolescência. E parece ser esse um dos grandes desafios sociais e humanos daqui
para frente.
Isso, pelo
lado positivo da moeda. Pelo lado negativo, que é também de toda importância,
há que se abrir guerra contra as grandes corporações, especialmente às ligadas
a mercados especulativos de capitais, que abocanham em ritmo acelerado fatias
cada vez mais gordas do dinheiro do planeta. Essa prática
predatória se dá a cada afrouxamento das normas reguladoras do mercado, sob
domínio desses grupos que movimentam produtos financeiros especulativos num
volume onze vezes maior que o PIB mundial, algo em torno de (dados entre 2007 a
2009) setecentos e vinte trilhões de dólares ao ano, enquanto todo o comércio
mundial movimenta meros quinze trilhões de dólares e o crime,
"apenas" um trilhão e meio. É, definitivamente, o pior tipo de
assalto: por meios legais.
Os maiores
responsáveis por esses atos criminosos, hoje se sabe, são os executivos do
Goldman Sachs, Bank of America, Morgan Stanley, Royal Bank Scoltland,
Santander, Sumimoto Mitsui, Mitsubishi, Loyd’s, Santander, Deutsche Bank ,
Mood’s, todos conectados por um emaranhado de ações distribuídas entre os
maiores acionistas, cada grupo subcontrolando o outro, que subcontrola o outro,
tudo muito transnacional, numa briga vencida de antemão contra os pobres
mecanismos reguladores, de estruturas apenas nacionais, que podem ser facilmente
invadidos e manipulados. E são.
Esse
conglomerado dos mais poderosos é, segundo demonstrado num exemplar da revista
Le Monde Diplomatique, uma supernova em meio a pequenos planetas, que são o
restante do volume de dinheiro gerado no mundo. Cinquenta e oito trilhões ao
ano (entre o mesmo período) é o montante da capitalização das bolsas mundiais.
Sessenta e dois trilhões são o volume do PIB mundial. Essa turma, de principais
acionistas das 737 maiores empresas transnacionais, controladoras de 80% da economia
mundial, sendo que o mercado especulativo possui 3/4 de tudo, domina grande
parte dos aparelhos do Estado e da mídia; do dinheiro nem se fala. Por meio do
Estado afrouxam as regras em benefício próprio, pela mídia fazem maciças,
pesadíssimas campanhas publicitárias em prol do consumo e dos comportamentos de
massa que os tornam mais e mais ricos.
Dominam até
as maiores universidades do mundo, atuam sobre a forma de pensar do aluno, por
já terem assediado os próprios professores. São centenas, talvez milhares de
professores espalhados pelas salas das melhores faculdades do planeta, que
prestam consultoria permanente a grandes empresas, trabalham por seus
interesses e moldam gerações de economistas e administradores. E
consequentemente o senso comum, talhado ao gosto do freguês. Para isso também
recebem seus milhares e milhões de dólares. E por meio do dinheiro esses
grandes conglomerados, de maneira direta ou indireta, mandam em nosso tempo,
nosso salário e cada vez mais em nossos destinos. Você pode ser ejetado a
qualquer momento. Simples assim. E quem criou essas regras?
É difícil
imaginar que uma situação dessas possa mudar nas próximas décadas, sendo que a
maioria de nós trabalha em profissões que colaboram o tempo inteiro para
aumentar esse poder. Por isso, pensei nessa campanha singela, tola, quase
infantil, quixotesca, simplista, como queira chamar: "trabalhe em algo que
faça do mundo um lugar melhor". E, claro, fazendo o que se gosta. Isso
pode contribuir para minar empreendimentos nocivos à sociedade, sejam quais
forem. E o fará sentir-se mais importante consigo mesmo. Sentindo-se realmente
importante para si, não terá muita necessidade de se sentir mais importante que
o outro. Uma violência a menos no mundo.
Magno Mello
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