terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mãos (in)visíveis

Espero, sempre, que meu trabalho traga algo positivo para as pessoas e para o mundo. Melhorar o mundo fazendo o que se gosta: é o que norteia minha vida desde a adolescência. E parece ser esse um dos grandes desafios sociais e humanos daqui para frente.
 
Isso, pelo lado positivo da moeda. Pelo lado negativo, que é também de toda importância, há que se abrir guerra contra as grandes corporações, especialmente às ligadas a mercados especulativos de capitais, que abocanham em ritmo acelerado fatias cada vez mais gordas do dinheiro do planeta. Essa prática predatória se dá a cada afrouxamento das normas reguladoras do mercado, sob domínio desses grupos que movimentam produtos financeiros especulativos num volume onze vezes maior que o PIB mundial, algo em torno de (dados entre 2007 a 2009) setecentos e vinte trilhões de dólares ao ano, enquanto todo o comércio mundial movimenta meros quinze trilhões de dólares e o crime, "apenas" um trilhão e meio. É, definitivamente, o pior tipo de assalto: por meios legais.
 
Os maiores responsáveis por esses atos criminosos, hoje se sabe, são os executivos do Goldman Sachs, Bank of America, Morgan Stanley, Royal Bank Scoltland, Santander, Sumimoto Mitsui, Mitsubishi, Loyd’s, Santander, Deutsche Bank , Mood’s, todos conectados por um emaranhado de ações distribuídas entre os maiores acionistas, cada grupo subcontrolando o outro, que subcontrola o outro, tudo muito transnacional, numa briga vencida de antemão contra os pobres mecanismos reguladores, de estruturas apenas nacionais, que podem ser facilmente invadidos e manipulados. E são.
 
Esse conglomerado dos mais poderosos é, segundo demonstrado num exemplar da revista Le Monde Diplomatique, uma supernova em meio a pequenos planetas, que são o restante do volume de dinheiro gerado no mundo. Cinquenta e oito trilhões ao ano (entre o mesmo período) é o montante da capitalização das bolsas mundiais. Sessenta e dois trilhões são o volume do PIB mundial. Essa turma, de principais acionistas das 737 maiores empresas transnacionais, controladoras de 80% da economia mundial, sendo que o mercado especulativo possui 3/4 de tudo, domina grande parte dos aparelhos do Estado e da mídia; do dinheiro nem se fala. Por meio do Estado afrouxam as regras em benefício próprio, pela mídia fazem maciças, pesadíssimas campanhas publicitárias em prol do consumo e dos comportamentos de massa que os tornam mais e mais ricos.
 
Dominam até as maiores universidades do mundo, atuam sobre a forma de pensar do aluno, por já terem assediado os próprios professores. São centenas, talvez milhares de professores espalhados pelas salas das melhores faculdades do planeta, que prestam consultoria permanente a grandes empresas, trabalham por seus interesses e moldam gerações de economistas e administradores. E consequentemente o senso comum, talhado ao gosto do freguês. Para isso também recebem seus milhares e milhões de dólares. E por meio do dinheiro esses grandes conglomerados, de maneira direta ou indireta, mandam em nosso tempo, nosso salário e cada vez mais em nossos destinos. Você pode ser ejetado a qualquer momento. Simples assim. E quem criou essas regras?
 
É difícil imaginar que uma situação dessas possa mudar nas próximas décadas, sendo que a maioria de nós trabalha em profissões que colaboram o tempo inteiro para aumentar esse poder. Por isso, pensei nessa campanha singela, tola, quase infantil, quixotesca, simplista, como queira chamar: "trabalhe em algo que faça do mundo um lugar melhor". E, claro, fazendo o que se gosta. Isso pode contribuir para minar empreendimentos nocivos à sociedade, sejam quais forem. E o fará sentir-se mais importante consigo mesmo. Sentindo-se realmente importante para si, não terá muita necessidade de se sentir mais importante que o outro. Uma violência a menos no mundo.


Magno Mello

Nenhum comentário:

Postar um comentário